DEZEMBRO DE 2017 - BOAS FESTAS -- PARA TODOS VOTOS DE UM 2018 COM COISAS BOAS ESPECIALMENTE SAÚDE

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terça-feira, 31 de agosto de 2010

92 - Um ano de Comissão, aniversário em Nova Coimbra.



-Na data de 06/10/1972 fizémos um ano da data da partida de Lisboa no navio Niassa, a caminho de Moçambique.
-Todos quantos viveram por dentro esta passagem na vida, sabem que por sistema a cerveja era uma companhia diária pois para além de matar a sede, ajudava a matar as tritezas de cada um. Nestes dias comemorativos a coisa tinha sempre um fim mais ao geito de se beber sem sede, resultando daí algumas "cadelas".
-Na foto tirada na "majestosa" messe de sargentos de Nova Coimbra (qualquer coisa como meia dúzia de chapas zincadas erguidas do chão), o pessoal comemora a data e a objectiva captou da esquerda para a direita os furrieis (há mais mãos a erguer os copos): Matos (Vaguemestre); Louro (Mecânico Auto); Silveirinha (Falecido); Lobão (G.E.) e Américo (Enfermeiro).

domingo, 8 de agosto de 2010

91 - Nova Coimbra "Acção psicológica" 2

-Quando da nossa passagem por Nova Coimbra, pelos melhores motivos, a nossa presença não passou despercebida à população do aldeamento com o mesmo nome . Lembro-me muito bem do dia em que pela primeira vêz atravessámos este aldeamento nas viaturas a caminho do quartel que se situava a cerca de dois kilómetros na direcção do Lunho. Enquanto os militares da companhia que íamos render faziam a festa com a nossa chegada, os naturais quase nem para nós olhavam ou faziam-no com ar de ódio, coisa que não é muito dificil de perceber.
-Os dias e as semanas foram-se passando e esta situação teria que ser alterada, pois a nós não interessava este estado de coisas, nem mais ou menos. Sabíamos que nesta povoação moravam muitos dos militares da Frelimo com as suas famílias, embora não se soubesse ao certo quem eram. Assim passou-se a uma tomada de posição chamada de "acção psicológica" coisa que no início pareceu estranha para os naturais (talvez porque outros nunca antes o fizéssem desta forma), mas depois passou a ser vista com bons olhos e aceite por todos.
-Então o nosso Capitão mais o Vaguemestre tiveram uma conversa com o RÉGULO da aldeia para lhe apresentar a inovação e os detalhes de como se ia processar. Assim em frente à casa do régulo fez-se um corredor onde cada um iria estar em fila e seria da responsabilidade do régulo a ordem para tudo funcionar a contento.
-Pois bem a novidade seria que todos os domingos depois do nosso almoço no quartel, iríamos ali distribuir pelas crianças e pelos velhos uma arrozada de bacalhau. Os cozinheiros confeccionavam num dos panelões da sopa este prato, carregava-se numa viatura e lá íamos distribuir o mesmo conforme o combinado. Para nós era indiferente de quantas vezes os miudos íam para a fila afim de levarem mais uma malga de comida para as suas casas(palhotas); até haver seria distribuido, pois os mais velhos tinham outras dificuldades em se movimentarem. Lembro que a determinada altura até os de meia idade se apresentavam com a sua malga para se abastecerem. 
-Desta forma simples se conseguiu trazer as populações para as nossas relacções de amizade, embora as vidas de cada um continuassem como antes, eles na Frelimo e nós no quartel. Parece coisa pouco clara, mas só um doido é que vai matar alguém que lhe dá de comer e à família pelo menos uma vez por semana e que até pode beber uma cerveja à sua conta de vez em quando lá na tasca.
-Outras formas de ajuda que fizémos, entre elas a doacção de gasóleo para iluminação; as boleias de e para Metangula nas nossas viaturas quando lá nos deslocávamos; o empréstimo das viaturas para irem buscar o milho e a mandioca; a assistência de enfermagem no quartel pelos nossos enfermeiros; a venda de bens alimentares no quartel, etc..
-Tudo isto não foi demais para atingirmos os fins pretendidos.
-A seguir mostro algumas fotos que tenho, relacionadas com a distribuição da arrozada de bacalhau:

-Aqui estou sem divisas na companhia do condutor Fitas a distribuir a arrozada.
-Numa zona de guerra os galões e divisas só podem ser prejudiciais a quem os usa.
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-Outra foto com os mesmos intervenientes da anterior.
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-Aqui o cenário repete-se e aparece um homem de cor que me parece ser um dos nossos militares naturais a colaborar com a distribuição ?..
-Pela data que está na foto já fêz no mês passado 38 anos que foi feita esta acção. 
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-Continuo a distribuir a alimentação e o pessoal vai esperando pela sua vez com as malgas.

domingo, 1 de agosto de 2010

90 - Nova Coimbra "Acção psicológica"



-Nesta foto podemos ver um grupo de militares da C.Caç.3468 fazendo "Acção psicológica" junto da população de Nova Coimbra, algo que acontecia todos os fins de semana especialmente aos domingos á tarde depois do almoço. Como se pode ver serão as crianças e os velhos que dominam as nossas atenções, pois os de idade intermédia eram na maioria militares da Frelimo, que assim mesmo nos acompanhavam numa cerveja num tasco que havia na aldeia.
-Da esquerda temos o enfermeiro Fonseca; os furrieis Almeida, Alvim (falecido), Louro e Barbosa e ainda o condutor Rodrigues mais conhecido pelo S.Pedro.
-Pormenor muito importante: o condutor S.Pedro transporta às costas a G3 (inseparável para todos nós), enquanto dos restantes militares alguns usavam (?) pistolas militares. Eu e o vaguemestre comprámos um revólver civil de calibre 32, devidamente legalizado e com liçença de uso e porte de arma que me acompanhava sempre, bem assim como uma faca de mato, embora na maioria das situações me fizésse acompanhar da minha "adorada" G3 que dormia sempre à minha beira e prontinha a responder a uma necessidade imediata. Sempre bem limpa e cuidada era o meu "ai jesus" e de igual modo dos restantes camaradas mais atentos e cuidadosos, pois embora esta arma fosse de uma grande fidelidade e de uma qualidade excelente, também precisava de cuidados especiais.