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sexta-feira, 27 de novembro de 2009

15 - NACALA: Local onde visitei várias vezes o meu PAI tripulante do navio "Beira"

-A nossa presença em Vila Cabral, foi de certa forma o que de bom se poderia ter, quanto a estar numa zona de 100% e ao nosso redor haver de facto locais com problemas no dia a dia. Era uma cidade onde havia um pouco de tudo, onde o comércio estava activo por parte da população; onde havia ensino escolar adequado, cafés, cinema, restaurantes, pensões, agência de viagens, etc...etc...
-A minha companhia estava junto á engenharia no caminho que dava para o aeroporto civil, de onde parti e cheguei várias vezes a caminho de Nampula para ir até Nacala onde iria passar uns dias com o meu pai que era tripulante do Beira e que estava normalmente cerca de oito a dez dias a carregar e descarregar vários para o Malávi. Fazia esta viagem de três em três meses mais ou menos. De avião Vila Cabral-Nampula e daqui até Nacala ia de táxi ou de comboio, conforme o horário deste. O regresso era idêntico.
-Destas minhas idas para visitar o meu pai a Nacala, guardo para sempre na minha memória algumas "Histórias" entre as quais uma em que por o navio ter antecipado a saída da Beira para Nacala, quando lá cheguei já este estava a sair de regresso. Limitei-me a acenar ao meu pai e até á próxima. Outra foi algo que muito me comoveu e que vou descrever: Para eu não estar a gastar dinheiro no hotel enquanto o navio estava ali, o meu pai falou com o Comandante se eu poderia ficar num dos camarotes vazios que o navio tinha a mais, tendo recebido aceitação para a minha hospedagem. Para entrar no barco só com autorização da pide na caneta do seu chefe num documento por si assinado para entregar ao outro que controlava as entradas e saídas do navio. Era a rotina de cada vez que lá ia até que um dia... o chefe estava ausente e ninguém me podia passar a autorização de entrada. O meu pai tentou a minha entrada perante o representante da pide instalado ao cimo do portaló de acesso ao navio, mas nada. O meu pai não foi de modas e mandou-me esperar pois ia ver se tratava do assunto e ausentou-se para dentro do navio. Nessa viagem o Comandante tinha ficado em Lourenço Marques para ser operado a uma apendicite e quem tomou o seu lugar foi o SENHOR IMEDIATO do qual não sei o nome. Só sei que passado algum tempo (pouco) de estar á espera aparece-me pela frente um HOMEM de pêra (?) com uma envergadura respeitável, devidamente fardado e que me vendo ali com a mala na mão me disse: É o senhor o filho do tripulante José Louro? ( Logo atráz vinha o meu pai...) Respondi que sim. Cumprimentou-me e desejou-me as boas vindas mandando-me entrar, que o resto seria por sua conta. Ainda ouvi o que ele disse ao representante da pide. Disse-lhe ele: Este homem é a partir de agora meu convidado, e está autorizado a entrar e sair enquanto o navio aqui estiver. Diga ao seu chefe que se tiver alguma dúvida fale comigo ou delegue em alguém na sua ausência. Este homem está a visitar o pai e nada melhor do que isso para ajudar a passar estes anos distantes da família. Tanto eu como o meu pai ficámos pasmados e agradecidos para toda a vida. Não sei se este HOMEM é vivo ou onde mora, mas lá que gostava de estar com ele essa é uma grande verdade, pois o meu pai já não fáz parte dos vivos. Quando lá voltei da vêz seguinte, de novo o chefe da pide não estava para me assinar o papel de entrada no navio. Fiquei logo apavorado, mas a senhora que me atendeu e era esposa do cujo dito me tranquilizou dizendo-me que ela assinava e carimbava o documento. Fiquei tranquilo...
-Com o documento em meu poder, lá fui para o navio passar mais uns dias com o meu pai. Sobre este aspecto posso me considerar um sortudo, pois não conheço outro camarada que tivésse estas possibilidades de estar com o pai de três em três meses durante uma semana mais ou menos. José Louro

-Foto que tirei ao navio Beira numa das minhas idas a Nacala.

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COMENTÁRIOS:


Olinda disse... 

Passei a infância em Nacala e por isso adorei ler esta sua aventura.
Domingo, 23 Maio, 2010

1 comentário:

Jonas Ramos disse...

O meu pai tambem foi tripulante desse navio.
Era maquinista mas depois da guerra. Já o barco pretencia a CNN